Em dia de sessão de esclarecimento sobre as novas regras do Rendimento Social de Inserção muitas famílias foram surpreendidas pela redução sem aviso prévio do seu subsídio.
Para ver o vídeo publicado ontem pelo JN basta visitar: http://www.jn.pt/multimedia/video.aspx?content_id=2673591
A medida de apoio social RSI, entre outras como o subsídio de desemprego, vem despoletando incessantes debates na sociedade portuguesa e muitas são as notícias sobre esta medida social. É sem dúvida um dos temas onde as opiniões mais divergem isto porque vivemos numa sociedade muito invejosa e ao mesmo tempo hipócrita. Ao invés dos indivíduos se unirem e lutarem por melhores apoios em direitos básicos como a sobrevivência, dignidade e honestidade, pela igualdade, pela transparência e desburocratização dos apoios, elas caem no erro da discriminação ao próximo, na vitimização, numa luta endógena (dentro da mesma classe) ao invés de uma luta interclassista. Exemplos concretos de discurso corrente desta sociedade relativamente aos beneficiários de apoios sociais são: "Ele não quer é trabalhar!"; "Ele tem um bom carro e ainda recebe ajudas do Estado"; "Ganhar dinheiro sem fazer nenhum também eu queria"...pensamentos típicos.
Não obstante, esta situação piora quando se percebe que são os próprios políticos e conceituadas entidades a falar em "parasitas" e consequentemente a projectar estas representações na restante sociedade. Se quem devia preocupar-se devidamente com este problema o relativiza então o efeito bola de neve entra em acção e muitas vezes quem de facto merece ser julgado porque brinca com tostões: corrupção e desvio de dinheiro em bancos, hospitais, instituições públicas, continua a sua vida sem qualquer transtorno e quem precisa de ajuda para atenuar o seu estado de pobreza extrema é apontado, socialmente, como um criminoso porque recebe apoios para (sobre)viver e ainda tem que se explicar constantemente que vive em situação de carência social aos olhos da sociedade!
Devido a este pensamento hipócrita e incorrecto é que os beneficiários são descritos como encostos na sociedade, aqueles "malandros" nos quais o Estado gasta milhões de euros para manter...milhões de euros que em número nem chegam perto dos milhões desviados para offshores no estrangeiro através da corrupção.
Pessoas trabalhadoras:
Devido a estas representações sociais incorporadas é que a sociedade age como age. Esta é uma imagem típica do que vai nas nossas cabeças; quando o assunto é um assalto, um criminoso, a primeira imagem que nos surge na cabeça é a primeira. Por sua vez, quando se trata de um exímio trabalhador, uma pessoa honesta, a imagem que mais se enquadra nas nossas representações é a segunda. Como afirma Eduardo Vítor Rodrigues, um sociólogo com um notável trabalho no âmbito das políticas sociais "(...) é penoso ver que a hipocrisia do debate colou bem nas representações sociais. O "brutal ataque" ao RSI agrava o estigma, dificulta a inserção social e conduz a uma burocratização exagerada da medida. O que está a acontecer é um processo de estigmatização que afecta, de forma violentíssima, o beneficiário." (in Jornal de Notícias). E esta forma de pensar é uma barreira ao progresso.
Vejamos o seguinte vídeo resultado de um projecto realizado e produzido por João Carlos Louçã, Nuno Moniz, Ricardo Sá Ferreira, com a colaboração de esquerda.net:
Vivemos numa guerra incessante entre sociedade e beneficiários de RSI (os que supostamente precisam de ajuda para combater a severa pobreza em que vivem). Alguns beneficiários têm um historial de pobreza herdada (de pais passa para os filhos - as principais vítimas) e outros chegaram à pobreza a trabalhar (uns com empregos precários e outros com empregos razoáveis). Ao visualizar o vídeo é perceptível que este é um problema bem mais complexo do que aquele que prolifera nos discursos correntes. Tratam-se de situações muito próprias que exigem soluções bem mais especificas do que as que existem e de um trabalho profundo dos especialistas. Há uma heterogeneidade no que respeita aos beneficiários deste apoio que não pode ser negligenciada. A solução passa em parte por um processo de acompanhamento a par da vigilância contínua. No momento temos: cada equipa multidisciplinar tem a seu cargo, no mínimo, 180 agregados, o acompanhamento próximo das famílias para diagnosticar e ajudar a resolver os problemas que travam a melhoria de vida é quase impossível, sem tempo para diagnósticos, a resposta é igual para todos: novos cursos, estágios e soma de carimbos enquanto que a raiz do problema fica por resolver.


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