Os trabalhadores do sector privado
passarão a descontar 18% do seu salário para a Segurança Social, face aos
atuais 11% a partir de 2013 - como é possível? Quando tal acontecer os trabalhadores portugueses
passarão a ser os segundos da União Europeia com a carga contributiva mais
alta, sendo apenas ultrapassados pelos franceses. Esta contribuição exigida vai mesmo
ultrapassar os 16,7% que pagam os alemães.
Não
querendo ofender, de todo, os portugueses, no discurso que faz a 07 de Setembro para anunciar
as novas medidas de austeridade para 2013, Passos Coelho afirma: "O que propomos é
um contributo equitativo, um esforço de todos para o objetivo comum, como exige
o Tribunal Constitucional (…) Foi com este propósito que o governo decidiu
aumentar a contribuição dos
privados para a Segurança Social para 18%, o que
nos permitirá, em contrapartida descer a contribuição exigida às empresas também para 18%"; esta descida de 5,75
pontos percentuais vai aumentar, nas palavras do PM, a competitividade das
empresas e criar emprego. Mas criar emprego? Tal irá permitir um encaixe de
muito dinheiro para as grandes empresas - as grandes beneficiárias desta
medida. Por exemplo, as empresas gasolineiras, além do lucro que obtém com a
venda imoral dos combustíveis a um preço exorbitante vão embolsar ainda mais dinheiro
com esta medida. Porque é que o PM não intercede aí? Porque não questiona e age
contra estas empresas que vendem os combustíveis acima da média da EU? Sem dúvida,
medidas para agradar e fazer o jeito às grandes empresas; um pormenor sem
importância é o facto de ser o português a arcar com as dificuldades. Contributo equitativo? Um esforço de todos
para o objetivo comum? Tretas!
O que estamos a viver em todo o mundo, no
contexto da crise financeira, é uma transição do Estado de bem-estar social
para um Estado de mal-estar tal como defende Manuel Castells.
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