Sociologia: a special interest


A Sociologia é uma ciência que se preocupa com a explicação dos fenómenos sociais, sendo que por fenómeno se entende qualquer realidade social objectiva: a religião, a família, o divórcio, a (in)sucesso escolar, a empresa, a educação, etc, realidades que decorrem da nossa vida colectiva, daí se denominarem de fenómenos sociais. São muitos aqueles que ainda tendem a confundir esta disciplina social com a Psicologia, mas elas não são a mesma coisa. Enquanto o indivíduo na sua singularidade é estudado pela Psicologia, a Sociologia interessa-se pelo estudo dos fenómenos sociais, analisando os seres humanos em suas relações de interdependência. Há ainda muitas dúvidas em torno do significado desta ciência social. Eu própria a desconhecia até ao momento em que me foi dada a conhecer no ensino secundário e nunca mais a minha vida foi a mesma. É interessante olhar para o meu percurso e constar a mudança que houve comigo…a Sociologia transforma a maneira como encaramos a vida! Mas quando é que ela surgiu?
A Sociologia não é uma ciência recente. As suas origens remontam a uma série de mudanças radicais introduzidas pelas Revoluções que tiveram lugar entre os séculos XVIII e XIX: a Revolução Industrial, na Inglaterra e a Revolução Francesa. Estes dois acontecimentos marcaram de tal forma que ocorreu uma transformação profunda no modo de vida dos indivíduos e, depressa outros países europeus foram passando pela mesma situação. Por um lado passou a triunfar as ideias de liberdade e igualdade e, por outro, houve um conjunto de transformações económicas e sociais que, juntamente com os avanços tecnológicos, mudou a vida social. Contudo, a Revolução Industrial é muitas vezes analisada de forma superficial como a simples introdução da máquina a vapor. Existiu, porém, uma outra faceta da realidade. Este marco significou o triunfo da indústria capitalista e da classe minoritária detentora dos meios de produção e do capital. Grandes massas de trabalhadores foram submetidas a novas formas de relação de trabalho, longas e penosas jornadas nas fábricas, salários de subsistência a fim de satisfazer os interesses económicos. Nasceu assim o proletariado, classe trabalhadora com importante papel histórico na sociedade capitalista. Somado a isto, a vida nas cidades estava mudando: a revolução agrícola realizada no decurso do século XVIII permitiu progressivamente às actividades industriais beneficiar de um afluxo de mão-de-obra, pois o desenvolvimento da indústria foi exponencial. Com efeito, o intenso êxodo rural culminou na explosão demográfica e na falta de infra-estruturas capazes de comportar os excedentes populacionais. Assim sendo, estes acontecimentos proporcionaram a criação de um cenário de instabilidade e contradição: miséria, epidemias, suicídios, aumento da prostituição e da criminalidade eram retratos da situação da época. 
A introdução de novas formas de organizar a vida social e o impacto das transformações colocaram, de certa forma, a sociedade em evidência. Em decorrência disso determinados pensadores interrogaram-se sobre a amplitude das transformações das sociedades europeias que se desenrolam sob os seus olhos. É assim que nasce a Sociologia, enquanto resposta intelectual às novas condições de existência.
É atribuído o papel de pai desta disciplina a A. Comte, já que foi ele quem inventou o termo «Sociologia» com o objectivo de fundar uma ciência positiva dos fenómenos sócias cujo fim era o estabelecimento de leis sobre a evolução social e histórica. Este teórico procurou criar uma ciência da sociedade que pudesse explicar as leis do mundo social à imagem das ciências naturais. Marcado pelo Positivismo, a Sociologia para ele devia aplicar ao estudo da sociedade os mesmos métodos científicos e rigorosos que as ciências exactas usavam para estudar o mundo físico. Percebe-se assim que a Sociologia nasceu vinculada aos métodos utilizados das ciências naturais, muito diferente do que ela é hoje.



Tschüss*  




Sem comentários:

Enviar um comentário

Comentário(s)