sexta-feira, julho 6

Rasta, love it!


    O ser humano tem vivido, desde sempre, em grupo e, neste sentido, são seres sociais. Homens e mulheres sempre viveram num estado cultural, distinguindo-se assim das restantes sociedades animais. A vida em grupo tem conduzido ao desenvolvimento de regras e procedimentos que visam a satisfação das necessidades da colectividade, afastando-a de um estado selvagem. Em suma, podemos afirmar que a vida em grupo é uma vida em estado de cultura pois a sociedade exprime-se e realiza-se através de uma cultura.
A cultura representa tudo o que é socialmente aprendido e partilhado pelos membros de uma comunidade. É um fenómeno onde todos os membros do grupo têm lugar, ou seja, é um fenómeno partilhado que concede a cada um características básicas que o distinguem dos membros de outro grupo (portadores de outra cultura). Em sentido sociológico, ela consiste num conjunto de maneiras próprias de pensar, sentir e agir de um qualquer grupo. Desta forma, pode-se afirmar que todos os indivíduos integram uma cultura.
     De uma forma prática podemos dizer então: o choro à nascença não é exclusivo de qualquer grupo, faz parte da natureza biológica do ser humano; mas o choro em circunstâncias determinadas é um traço característico de uma certa forma de viver: é um elemento cultural. A alimentação é um outro exemplo: comer enquanto acto para sobreviver constitui um acto biológico; mas alimentar-se de acordo com um horário fixo, um determinado tipo de alimentos e usar determinados utensílios é um acto que se aprende de acordo com o grupo em que estamos inseridos – é um acto cultural. Quando os sociólogos falam do conceito de cultura, referem-se a esses aspectos da sociedade humana que são aprendidos e não herdados.
Não obstante, é possível encontrar grupos restritos cuja acção social se manifesta através de alguns traços culturais próprios e distintos dos que caracterizam a sociedade global - as subculturas. Com este conceito refiro-me a qualquer segmento da população que se distinga do resto da sociedade em virtude dos seus padrões culturais. A variedade de subculturas é grande, inclui os naturistas, os góticos, os rastafári etc., e são toleradas na medida em que não coloca em causa a cultura dominante.
     Rastafári é um movimento religioso que surgiu na Jamaica em meados dos anos 20 entre a classe trabalhadora e os camponeses negros, que apela à repatriação dos mesmos ao seu lar ancestral: Etiópia - África. Este movimento proclama Hailê Selassiê I, imperador da Etiópia, como a representação terrena de Jah (Deus).






     A etimologia da palavra Rastafari provém da junção de duas palavras: Ras ("princípe" ou "cabeça") com Tafari ("da Paz"). Traduzindo-se em "cabeça da Paz”. São adeptos de um movimento político-religioso surgido na Jamaica no século 20, em resposta às miseráveis condições sociais e económicas dos descendentes de escravos africanos trazidos para as Américas durante o período colonial, ou seja, entre os camponeses e trabalhadores negros, que eram altamente explorados e maltratados na época.
     O rastafári começou como uma forma de restituir a auto-estima e a autonomia espiritual do povo negro no Novo Mundo, solapadas pela ideologia colonialista e pela discriminação racial, sendo que a principal figura foi o sindicalista jamaicano Marcus Garvey; baseado em ideias do Velho Testamento, passou a proclamar que todos os negros deveriam retornar a África, de onde teriam sido retirados por causa da escravidão.
     Garvey identificava ainda os negros com a mesma história dos povos perdidos de Israel, vendidos aos senhores, ou seja, escravos de uma Babilónia moderna. Em 1929, quando pregava numa igreja, Garvey disse: "Olhem para a África. Quando um rei negro for coroado, a redenção estará próxima." A afirmação foi tida como uma profecia, pois o negro Tafari Makonnen (1892-1975) auto-coroou-se como imperador da Etiópia um ano depois. Antes de ascender ao poder, Tafari Makonnen era chamado "Príncipe Tafari", ou Ras Tafari, no idioma local. Por isso, quem acreditava nas ideias de Garvey e via o imperador como um messias passou a ser chamado Rastafári.
     Os “rastas” seguem um conjunto de preceitos bíblicos, como a abstenção do consumo de álcool ou carne e a proibição do corte de cabelos. Já outras práticas, como o uso da maconha e a crença na superioridade da raça negra, não são partilhadas por todos os seguidores. A maioria crê na suposta divindade do ex-imperador da Etiópia, Hailé Selassié (1892-1975), tido como encarnação de Deus e chamado de Jah. A Fé Rastafariana é uma forma de vida, com muitas ligações à fé judaica e cristã, onde quase todos os seus fieis têm as suas próprias ideias acerca das coisas. Os Rastas acreditam que Jah (Deus) se mostra sob forma humana de tempos a tempos. Eles têm as suas próprias ideias, sendo o Rastafári uma forma de vida, e não uma religião como muitos pensam. Eles são contra a opressão, pobreza e desigualdade (que são problemas globais), amam e respeitam a irmandade da humanidade, levam uma vida cristã, de caridade e auxílio ao próximo, desaprovam o ódio, ciúmes, inveja, engano, fraude e traição, não aprovam os prazeres da sociedade moderna e os seus males correntes.
     O aspecto mais saliente de um Rasta são os dreadlocks (a que chamamos rastas), canudos fortes, que não são escovados ou penteados. 
É o símbolo da união com Jah e do empenho numa vida justa e natural. Os dreadlocks são um belo exemplo da dualidade “Natureza/Protesto”, isto porque o acto de deixar o cabelo crescer sem cortar nem pentear, é para o Rastafári um sinal de naturalidade, fruto de desapego material e resultado da sua própria natureza inalterada; e por outro lado, como o próprio nome diz, são “madeixas que chocam” e os dreadlocks, vendo nessa perspectiva, são um modo de protesto e contestação para mostrar a condição de escravidão a que o negro foi submetido na Babilónia. O desapego material simbolizado nos dreadlocks é o mesmo desapego aos produtos industrializados e à tecnologia em geral, desapego este que corrobora com todas as práticas da visão de mundo rastafari, sinónimos de “natureza” e “protesto”. Outro motivo apresentado pelos Rastas relativamente ao dreadlock é que a barba e os cabelos compridos representam a juba do leão, símbolo da filosofia Rasta.
     No final da década de 60, em condições de extrema pobreza os rastas procuravam manter-se financeiramente através da arte, em especial no artesanato, mas onde melhor a cultura Rasta se propagou foi na música com o Reggae. Assim, também nascido na Jamaica, o reggae foi porta-voz de várias mensagens do rastafarianismo, tendo sido Bob Marley (1945-1981) o maior representante deste estilo musical e para muitos, o principal símbolo do movimento Rastafári no Mundo. No ano 2000 havia aproximadamente um milhão de seguidores do rastafarianismo pelo mundo, algo difícil de ser comprovado devido à sua escolha de viver longe da civilização. Por volta de 10% dos jamaicanos identificam-se com os rastafáris. Muitos rastafáris são vegetarianos, ou comem apenas alguns tipos de carne.


     A cultura rastafari tem uma ligação muito forte com a natureza, princípio básico da criação. Por essa razão, os "rastas" são naturalistas e vegetarianos, ou seja, não comem carne de nenhum animal morto, porque segundo eles o corpo que o consome torna-se o cemitério desse animal. As cores têm importância fundamental e marcante, pois traduzem significados que representam a própria subcultura rastafari, com seus princípios básicos de união e defesa de suas raízes.
     O símbolo mais notório do Rastafári são as cores que eles utilizam: vermelho, verde e amarelo. O vermelho simboliza a triunfante igreja dos rastas e o sangue derramado pelos negros na escravidão; o verde é a beleza da vegetação da Etiópia e da terra prometida; o amarelo representa a riqueza e a prosperidade do continente africano. O leão, representa ainda a força, coragem e dignidade.



     Mas e quando a cultura dominante é colocada em causa? Então o termo adequado será o de contracultura. Este conceito, de forma prática, significa a oposição aos valores da cultura dominante. Como exemplo de uma contracultura temos os Hippies.
Na década de 1960 o mundo conheceu o principal e mais influente movimento de contracultura já existente, o movimento Hippie. Estes adoptam um modo de vida comunitário ou estilo de vida nómada, negando o nacionalismo e abraçando aspectos de religiões como o budismo, hinduísmo, e/ou religiões de culturas nativas norte americanas.
Esta contracultura que nasceu e teve o seu maior desenvolvimento nos EUA, era composta por uma juventude de classe média-alta e escolarizada que se opunha radicalmente aos valores culturais considerados importantes na sociedade: o trabalho, o patriotismo e nacionalismo, a ascensão social e até mesmo a "estética padrão"; recusava ainda a injustiça e desigualdades da sociedade americana, nomeadamente a segregação racial, desconfiava do poder económico-militar e defendia os valores da natureza. Na sua expressão mais radical, os jovens hippies abandonavam o conforto dos lares paternos e rumavam para as cidades, principalmente S. Francisco, para aí viver em comunidade com outros hippies, noutros casos estabeleceram-se em comunas rurais. Os dois principais valores defendidos eram a "paz e o amor". Opunham-se a todas as guerras e a palavra de ordem que melhor resume este movimento é a famosa expressão “Make Love Not War”.



     Os hippies usavam o cabelo e barba compridos e o seu estilo era composto por várias cores, o que foi revolucionário para a época: usavam calças à boca-de-sino, roupas de inspiração indiana e também roupas tingidas ou manchadas. Como símbolo tinham o “Pé de Galinha”: uma cruz invertida com os “braços” caídos que simboliza a "verdadeira" paz sem Cristo. Os hippies O principal marco histórico da cultura "hippie" foi o "Woodstock," um grande festival ocorrido no estado de Nova Iorque em 1969, que contou com a participação de artistas de diversos estilos musicais, como o folk, o "rock'n'roll" e o blues, todos esses de alguma forma ligados às críticas e à contestação do movimento.





Tschüss*

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