quarta-feira, setembro 12

estudar...para quem pode!

Recentemente foram divulgados dados que demonstram que Portugal está entre os dez países da Europa com propinas mais altas embora hajam excepções que levam a que Portugal surja na terceira posição. As propinas mais altas são cobradas pelo Reino Unido, onde os estudantes pagam cerca de 4200 euros. Entre os britânicos e Portugal surgem nove países mas, na prática, apenas o Liechtenstein - onde a propina é de 1217 euros anuais - fica à frente das instituições nacionais. Isto porque os países que surgem nas posições cimeiras não cobram propinas a todos os seus alunos. O relatório da Eurydice diz respeito ao ano lectivo 2011/2012, em que o valor cobrado pelas propinas nas instituições públicas variou entre os 631 e os 999 euros, que são pagas por todos os estudantes que frequentam o ensino superior, incluindo os bolseiros. Atrás de Portugal surgem países como a Islândia (279 anuais), França (177 euros) ou a Alemanha, onde a maioria dos estudantes paga 200 euros por ano. O mesmo relatório mostra que 26% dos estudantes do ensino superior nacional recebem bolsa de estudo o que coloca Portugal entre os países europeus onde apenas uma "minoria" dos estudantes tem apoio do Estado. 
Assim sendo, estudar torna-se cada vez mais um luxo a que nem todos tem acesso. Já no último ano lectivo por todo o país se tem verificado um aumento na desistência de vários alunos que não conseguem suportar as despesas. Além das propinas há o restante material indispensável ao estudo de cada aluno somado às despesas das deslocações que a maioria dos alunos tem que fazer. A esta face negra da educação em Portugal soma-se o aumento do número de licenciados desempregados e respectiva emigração dos mesmos, o que desanima quem enfrenta a decisão de seguir o ensino superior. A primeira fase de colocações do ano lectivo 2012/2013 já denota isso mesmo sendo que, o número de estudantes colocados na primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior diminuiu. Depois de no ano passado se ter registado a primeira diminuição em seis anos, este ano entraram nas universidades e institutos politécnicos 40.415 novos estudantes, o valor mais baixo desde 2006. Os maus resultados nos exames nacionais do 12.º ano ajudam a explicar o fenómeno mas não são a única explicação como é óbvio. 
Precisamos ultrapassar a crise, qualificar a nossa população para que esta possa tornar este pequeno país altamente competitivo e produtivo, precisamos de evoluir, de criar, de...não obstante, a direcção que este barco tomou não é essa e com muita pena as consequências disso surgirão!

terça-feira, setembro 11

Quando os interesses econômicos se sobrepõem aos interesses sociais!

     Os trabalhadores do sector privado passarão a descontar 18% do seu salário para a Segurança Social, face aos atuais 11% a partir de 2013 - como é possível? Quando tal acontecer os trabalhadores portugueses passarão a ser os segundos da União Europeia com a carga contributiva mais alta, sendo apenas ultrapassados pelos franceses. Esta contribuição exigida vai mesmo ultrapassar os 16,7% que pagam os alemães.
     Não querendo ofender, de todo, os portugueses, no discurso que faz a 07 de Setembro para anunciar as novas medidas de austeridade para 2013, Passos Coelho afirma: "O que propomos é um contributo equitativo, um esforço de todos para o objetivo comum, como exige o Tribunal Constitucional (…) Foi com este propósito que o governo decidiu aumentar a contribuição dos privados  para a Segurança Social para 18%, o que nos permitirá, em contrapartida descer a contribuição exigida às empresas também para 18%"; esta descida de 5,75 pontos percentuais vai aumentar, nas palavras do PM, a competitividade das empresas e criar emprego. Mas criar emprego? Tal irá permitir um encaixe de muito dinheiro para as grandes empresas - as grandes beneficiárias desta medida. Por exemplo, as empresas gasolineiras, além do lucro que obtém com a venda imoral dos combustíveis a um preço exorbitante vão embolsar ainda mais dinheiro com esta medida. Porque é que o PM não intercede aí? Porque não questiona e age contra estas empresas que vendem os combustíveis acima da média da EU? Sem dúvida, medidas para agradar e fazer o jeito às grandes empresas; um pormenor sem importância é o facto de ser o português a arcar com as dificuldades. Contributo equitativo? Um esforço de todos para o objetivo comum? Tretas!
O que estamos a viver em todo o mundo, no contexto da crise financeira, é uma transição do Estado de bem-estar social para um Estado de mal-estar tal como defende Manuel Castells.